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#EsteOutroMundo

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Gravity: Freedom Sensation

    Ás vezes fecho os olhos e sinto um arrepio na espinha. Vou avançando nesse jardim de recordações, revivendo-as indirectamente. Quero libertar-me, mas elas prendem-me.

    Pergunto-mo se será o lugar mais certo para estar...ali perdida pensando que conseguiria ser forte...que (daquela vez) era forte, diferente! Ali especada, petrificada, quieta, calada, frágil, caída, despedaçada. Depois reparo que estou a andar de uma maneira errada, mas continuo assim.

    De repente, reparo que qualquer coisa que veja ali, me leva de volta a ti, e nunca demora muito a que aconteça. E dizes-me o que fazer, mas o que é bom para ti, é mau para mim e não importa o que diga ou o que faça, estou presa. Essas memórias abraçam-me sem eu lhes tocar, continuam comigo sem eu as prender.  Peço-te: LIBERTA-ME, apenas ignoras. E aqui estou eu, no meio dos perdidos e achados da minha consciência, da minha memória sádica! LIBERTA-ME, eu não devia estar aqui, isto está a acabar comigo. E o que antes me salvava, agora impede-me de recuperar de uma queda, ou mesmo de subir.

    E depois deixas-me. E eu viajo. E depois eu largo-te, finalmente. Depois eu continuo a andar. Depois descubro a gravidade. Depois não me levanto. Talvez seja maravilhoso, talvez seja mágico...talvez seja horrivel, talvez seja inevitável; talvez seja tudo o por que tenho esperado -um milagre,- e eu tenho medo! MAS eu tenho medo! Tudo se transforma num mistério e eu fico assustada, já não reconhecia este sentimento: vejo-te partir... e depois tu deixas-me. (...) E depois eu, finalmente, largo-te(...) Depois descubro a gravidade, mas alcanço, logo a seguir, as nuvens e rio-me, baixinho, para ninguém ouvir. Tudo fica em segredo. Disse-te: LIBERTA-ME! e caí: das nuvens, do céu, das estrelas, do voo. Abri os olhos enharcados, e chorei ainda mais. Se agora estivesse nas nuvens, iria chover. E eu correria aqueles jardins de memórias, percorreria as planícies de sonhos, as montanhas de objectivos, e descobriria que a liberdade é como o mar: lá bem no fundo... é maravilhosa, só a temos de descobrir. E saberia que antes de me libertares já eu estava livre e encontraria o meu erro e prometeria que não o faria de novo e depois... depois deixavas-me, depois eu viajava, depois largar-te-ia finalmente, depois continuaria andar, descobriria a gravidade, voaria e nunca mais diria "Liberta-me" e tu não me ignorarias mais.

 

 

 

Porque eu descobri que a gravidade nos faz cair mas que quando caímos, crescemos.

 

 

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