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#EsteOutroMundo

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Sem querer, querendo.

Um dia descobri-te.

 

Não sei se sempre tinhas estado por ali e eu andava cega ou se naquele pedacinho do meu dia decidiste estar ali exatamente no momento em que tropecei em ti. Mas a verdade é que te descobri.

 

Ou tu me descobriste a mim.

Ou nos descobrimos...

 

E descobri esses teus olhos sorridentes e brilhantes que me abraçaram quando os nossos olhares se cruzaram. E que abraço bom e aconchegante que esses teus olhos me deram! Foi como se se tratasse de alguém que se adora e que não abraçavam há muito tempo!  Se eles tão pouco soubessem que foi a primeira vez que os meus olhos te agarraram...

E quando te alcancei, descobri esse teu sorriso lindo, que me fez apaixonar de caras. Nesse momento parou todo o resto. Não fazes ideia do quanto és bonito quando sorris, com as ruguinhas junto aos teus olhos infinito e o sorriso tão bem desenhado. Foi como se nunca tivesse visto ninguém sorrir... e nesse momento descobri que o meu beijo queria muito morar para sempre nesse teu sorriso. Na verdade, acho que toda eu queria morar nesses teus lábios.

E foi quando a minha mão tocou na tua, apenas naquele pequeno momento, que eu senti que seria dali que eu sempre quereria sentir um toque. Que seria aquela mão que sempre me iria segurar. Foi nessa fração de segundo que eu soube que nunca me irias deixar cair, que aquela mão estaria ali para me apoiar, sossegar e agarrar. Que aquela mão não me ia deixar ir. E eu queria que me agarrasses e me mantivesses segura em ti.

E foi só um toque, mas os nossos braços encontraram-se como tudo em nós. E se tu soubesses como eu gostei desse toque ou se ao menos houvesse palavras suficientes para descrever o caseiro que ele me pareceu! Nesse momento eu soube que aqueles braços eram a minha casa e porto de abrigo. Foi aquando esse toque que eu soube que seria nesse teu abraço que eu seria feliz e que me sentiria em casa. 

E foi só uma vez, mas quem me dera tropeçar mais em ti! Queria tropeçar para sempre em ti! Quantas vezes as necessárias para sentires em mim a paz que eu sinto em ti.

O teu olhar é o meu mapa de orientação; o teu sorriso é, definitivamente, a morada do meu beijo; a tua mão é o meu apoio e o teu abraço a minha casa. O teu colo é o meu porto de abrigo. E tu estás lá sempre: a acalmar-me, embalar-me e fazer-me sorrir. Não importa onde, mas contigo sinto-me em casa. Não importa quando, desde que estejas o tempo não existe. Onde quer que haja um "nós", podes ter a certeza, que é o meu paraíso.

De resto não sei: não sei de onde vieste, porque vieste, se vieste para ficar ou só para me abalar mais um pouco. Mas quero que fiques, quero ter o teu abraço para sempre. Quero que me refaças todos os dias, que me faças levantar a cabeça. Sei, definitivamente, que fui naquele dia exatamente na tua direção. Não sei se me encontraste ou se fui ao teu encontro, mas sei que apesar de até aí andar perdida, encontrei em ti a minha bússola. E se fores embora, não sei o que fazer desta vida sem ti. Sei que desde esse dia não larguei mais a tua mão e caminho sempre para ti, contigo: porque a razão de tudo fazer tanto sentido agora és tu. A razão da minha direção ser tão clara és tu: porque eu andava sem voz, sem rumo e tropecei em ti. Tenha sido acaso ou destino, tu fazes-me sentido e eu até poderia acostumar-me a outra vida sem ti... talvez fosse fácil. A questão é só uma, assim como a minha certeza: eu não quero.

 

Cruzamentos

Dizem que todos temos um propósito. E eu não sabia qual era o meu, até começar a fazer aquele percurso diariamente. Todos os dias pisava o mesmo chão. Havia pessoas que via todos os dias, algumas pessoas repetiam o mesmo percurso que eu dia após dias, após dia. E depois havias tu. Era frequente ver-te. Passar por ti, tu passares por mim, passarmos um pelo o outro.

Não sabias quem eu era. Cruzavamo-nos como milhões de pessoas em modo robô se cruzam todas as manhãs, em todo o mundo.

E eu também não tinha ideia de quem eras, mas acho que, com o tempo, acabei por saber mais de ti do que tu de mim.

Olhavamo-nos em silêncio todos os dias. Não sei se me vias, não sei se me observavas como eu a ti, não sei se ficavas a olhar quando passava por ti. Não sei se pensavas em mim, se falavas sobre esta miúda que vias menos de um minuto por dia. Nem se quer sei se pensavas nesse cruzamento, como eu. Nunca falavamos.  Nunca falámos.

Aquele cruzamento tornou-se rotineiro. Aquele cruzamento de corpos tornou-se frequente. Aquele cruzamento de olhares tornou-se quase um desejo matinal. Aquele cruzamento de sorrisos tornou-se no auge do dia dela. Aquele vulto começou a ganhar forma, a ganhar cor. Até que as mãos se cruzaram também. Depois ganhou cheiro, ganhou som, ganhou textura, ganhou sabor.

 

Havia fogo naqueles olhos.

Ela estava completamente apaixonada, ela acreditava em tudo. Ela olhava o mundo com um olhar cheio de esperança, cheio de cor. Ela abraçava os sonhos como se fossem sempre uma possibilidade: se viver um sentimento daqueles era possível, qualquer coisa seria possível dali para a frente.

 

Ele era todo o romance que ela alguma vez tinha pedido, toda a história de encantar.

Ele foi todo o seu mundo.

Falar de nós.

Para todos os efeitos, sempre me apaixonei fácil, sempre entreguei tudo de mim, apesar de não me entregar facilmente. Mas desta forma nunca me tinha acontecido. 

 

Apareceu do nada, como quando o vento muda de direção e eu, que tinha tudo tão (re)definido na minha cabeça, vacilei. 

Apareceu como uma lufada de ar fresco, como uma luz ofuscante ao fundo de um túnel escuro como breu, que eu percorria há tempo de mais e não conseguia sair por nada. Apareceu como uma madrugada de primavera, quando finalmente, está a ser anunciada a chegada do verão. Chegou e levou tudo à frente, trouxe-me tudo o que faltava. Trouxe-me o sorriso sincero, o riso aberto e verdadeiro, trouxe-me o tremer interior e o nervoso apaixonado. Trouxe-me o medo de acabar antes do suposto. E já não consigo perceber o significado das coisas se a presença não for uma realidade e se a ausência estiver tão presente como o meu sorriso. 

Veio não sei de onde, não sei como, não sei porquê. Mas sei o quando...e o quanto bem me fez - e faz!

 

Trouxe-me o sentido de orientação que há tanto tempo não tinha, e que não sei se quero perder (e apesar de me orientar tanto, nunca me senti tão desorientada). E não sei se foi ele que chegou, se fui eu que fui. Às vezes acho que fomos os dois, mas depois sinto-o que a puxar-me de onde eu estou. Às vezes acho que fomos os dois, mas depois olho e apercebo-me de que andava à sua procura. Às vezes acho que fui eu, mas sinto que foi ele que me encontrou onde quer que eu estivesse encostada. Às vezes acho que foi ele, mas depois parece que era tanto o que eu precisava que era impossível tudo isto existir, se não fosse eu a precisar. Às vezes acho que não foi ninguém... ninguém cá em baixo, pelo menos.   

E veio não sei como, não sei porquê... Não sei porquê só agora - e logo agora!

 

E há muitos "não sei". Tantos "não sei"! Há muitos "se", muitos "ainda", há muitos "mas" e "porquê". Mas não mudava nada deste encontro inesperado e assolapado. E aconteceu tudo tão rápido! E é tudo tão bom! E faz-me tão bem! E mesmo com todas as dúvidas que sobrevoam, todas as incertezas, todo um horizonte em branco, sem ideia do que trarão os próximos ventos, se dependesse de mim para acontecer, eu estaria precisamente aqui, neste ponto, com ele.

E é tanta coisas que se quer dizer e as palavras calam-se. E é tudo tão inédito, invulgar, extraordinário... e é tudo tão irresoluto, tudo tão incerto! E eu, mesmo assim, gosto tanto!

 

E eu falo de nós sem respirar, para não interromper e com medo de pausar algo tão bom ou mesmo de usar um ponto final no que já trouxe tanto e está só no início. Falo de nós como uma criança que acabou de receber o presente que mais pediu; falo de nós como um atleta que acabou de alcançar uma medalha de ouro mundial; falo de nós com o entusiasmo de um ator que ganhou um Oscar. Falo de nós com a energia de 20 cafés, como se não houvesse tempo para dizer tudo o que se quer, mas tivesse todo o tempo do mundo para abraçar a paz e tranquilidade que me traz. Porque é assim que me sinto, com ELE: como se não houvesse tempo suficiente para compensar todo o tempo em que ele não esteve e não está, mas tivesse todo o tempo do mundo para viver este "nós" tão único, tão de repente, tão estranhamente bom.

 

E são tantos sentimentos, tantas palavras, tanta rima, tanta fala, tanto silêncio, tanta vontade de fazer tudo... que, mesmo longe, o sinto perto; que mesmo separados, o sinto abraçar-me; que mesmo no escuro, o vejo. E o resto do mundo parece conspirar contra nós, mas os nossos mundos cruzaram-se como se o resto do Universo conspirasse a nosso favor.

 

E é tudo tão estranho. E parece que nada dá para exprimir o suficiente, que nada explica claramente tudo o que se passa. E parece que por mais que repita todas estas palavras, nada faz jus à nossa história.

E é tudo tão estranho, tão hipotético. E é tudo tão, tão, tão bom! 

Tão novo.

Epifania

De repente, o inverno aqueceu. Os dias passam a correr, o céu está azul e a paisagem brilhante. Parece que existe música de fundo em cada passada, parece que só se ouve rir e até as luzes de Natal parecem refletir com um brilho diferente, nos olhos de quem as observa. De repente, o peito enche-se de ar, mas parece mais leve, o coração acelera, o estômago agita-se, os joelhos tremem e as bochechas arrosam-se.

 

Um sorriso rasga-se timidamente, mas sem vontade de se fechar. Os olhos arregalam com cada som que soa dos lábios que olham, as mãos suadas tentam tocar tudo, como se fossem uma espécie de miragem. Não é. E o corpo fica a trabalhar num ritmo completamente diferente. Vive a alma por ele. Aliás, dança a alma por ele. Dança com uma alegria mágica, dança como se o mundo fosse acabar.

 

E se calhar acabou. Se calhar, de algum mundo acabou quando ela sentiu que tudo aquilo era, efetivamente, real. Se calhar, o mundo dela acabou ou, pelo menos, o mundo tal como ela o conhecia. Ou todo um mundo que ela sempre dispensou conhecer. Mas, de certeza, um novo universo foi criado, para além do universo que surgiu dentro dela. Um universo dela. Um universo dela... e dele. Um universo com tudo de novo para conhecer e descobrir. Todo um universo que nenhum dos dois, alguma vez, pensou conhecer ou, se quer, imaginar. 

Tudo era real, e ela agora sabia-o. E agora que tinha entrado neste universo, de mãos dadas com tanta coisa nova e com tantas novas borboletas, não havia certezas de que sairia dali. Não havia certezas, se quer, se quereria sair. Algo dentro dela sabia que, mesmo se saísse, era neste momento, impossível sair igual ou mesmo voltar ao mundinho dela tal como o conhecera. Mas ela, definitivamente, não queria pensar em sair.

Não agora. Não agora que tudo fazia sentido, que nada nunca batera tão certo como até então. Não agora com tanto para ver, para cheirar, para tocar e abraçar, com tanto para sonhar e descobrir. 

Não agora que o simples ar que respirava,

a fazia levitar.

Pinky Promise (Jura, Juradinho)

Prometo-te tudo de mim:

prometo-te o meu toque, prometo-te o meu abraço, prometo-te o meu olhar derretido, prometo-te o meu sorriso babado, os meus ouvidos atentos, as minhas pernas bambas, as minhas mãos desertas por te terem.

 

Prometo-te as minhas palavras mais sinceras, os meus gestos mais apaixonados, os meus desejos mais profundos e os meus sonhos mais bonitos. Prometo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para teres a teu lado a melhor pessoa, a melhor menina, a melhor mulher e a tua melhor amiga. Prometo desafiar-te, prometo ser curiosa, prometo animar-te, prometo ser conselheira, prometo guiar-te quando te sentires perdido, prometo encontrar-te sempre, prometo ouvir-te e abraçar-te quando não quiseres falar, prometo acordar-te quando tiveres pesadelos e realizar os teus sonhos. Prometo estar sempre presente.  Prometo desejar-te. Prometo tratar de ti. Prometo engordar-te e fazer-te correr.

 

Prometo-te os teus melhores dias e o ressaltar o melhor de ti. Prometo-te as tuas piores palavras e vir ao de cima o pior de ti. Prometo-te o melhor sono da tua vida e prometo (tentar) tirar-te o sono. Prometo-te os altos e baixos do costume.

 

Prometo-te ser eu. Prometo-te o pior e o melhor de mim. Prometo surpreender-te. Prometo desiludir-te. Prometo orgulhar-te.  Prometo, definitivamente, tirar-te do sério. Prometo controlar-me e prometo descontrolar-me. Prometo descontrolar-te. Prometo-te todo o meu mau feitio e os meus defeitos, prometo que vou falhar e prometo desapontar-te. Prometo pedir-te desculpa. Prometo-te não ser perfeita. Prometo-te os meus melhores e piores momentos. Prometo-te todos os meus sentimentos, prometo-te todas as minhas vontades, prometo-te todo o meu caráter, prometo-te cada pensamento, prometo-te todos os meus valores, todos os meus olhares apaixonados, toda a minha força, todos os meus quereres, todo o meu espaço. Prometo-te todo o meu corpo e toda a minha alma, toda a minha aura. Todo o meu ser. 

 

Prometo querer-te por inteiro.

 

Prometo querer-te por perto.

Por favor, fica por perto. E eu prometo estar aqui para ti, se tu estiveres sempre aqui, completo, só para mim.  Prometo sentir a tua falta cada segundo longe de ti e correr sempre para ti (e contigo). Prometo segredar-te que fico contigo, para ti e para nós... Prometo-te tudo isto e mais ainda, bastando-me prometeres a ti. 

pinky-promise.png

 

Do mundo que me trazes

Escrevo isto no colo de quem me acolheu. No colo de quem está do meu lado, sorri comigo e sabe exatamente o que quer, tal e qual como eu. Enquanto escrevo, é como se rimasse a cada instante, como se houvesse uma música de balada que aqui encaixasse perfeitamente, como tudo parece encaixar.

 

Penso em cada palavra, enquanto olho nos olhos de quem me olha neste momento. Mas, com o olhar mais doce e protetor como paisagem, é natural que as palavras fluam tão facilmente. Mergulho nesses olhos infinitos, neste olhar tão confortável, no colo de quem me conforta. E a melodia que soa em ambiente, combina connosco. Combina como tudo em nós.

 

Desenho cada letra nos braços de quem me abraça, de forma apertada e inigualável, de quem me abraça como se nunca me quisesse largar, de quem me abraça como se envolver-me assim fosse fonte de energia. (E para mim é.) E as letras vão fluindo e voando, vão formando momentos que nunca ninguém que nunca os viveu, pensou serem possíveis; vão descrevendo sentimentos únicos.

 

As ideias não param de ser sonhadas e vividas, neste meu cantinho secreto, neste abraço que é o meu porto de abrigo, neste colo que me dá as boas vindas suplicando para não ter de me dizer "adeus" uma vez mais, neste olhar que mais ninguém sabe a sensação de libertação e levitação que transmite. Ninguém sonha com ele. Ninguém o saboreia como eu. Como eu e quem me vê através dele. Como eu e quem recebe, de mim, o mesmo olhar de volta. Este olhar que toca a alma.

É inevitável tentar controlar-me. Os meus reflexos levam-me até estes olhos como fosse vital e, em gestos involuntários, sou enrolada num abraço brilhante que me enrosca como se também ele não tivesse sido voluntário. Mas não importa: se eu tivesse hipótese de, quanto esta força misteriosa me ataca, controlar os meus movimentos, cada um dos meus passos e gestos ou, se quer, tivesse hipótese de pensar sobre eles, não resta dentro de mim qualquer ponta de dúvida, de que mesmo conscientemente - mais que conscientemente- todo o meu corpo o quereria receber.

 

Sem questões, sem receios, escolheria ser acolhida por todo este colo, todo este abraço. Escolheria, definitivamente, mergulhar neste olhar que me aquece, neste olhar que sorri para mim e, silenciosamente e a medo, me pede para ficar, cada vez que se cruza com o meu. Não é à toa, não é porque sim, não é por acaso: mas escolhia sem dúvida, conscientemente, viver no sorriso perfeito que me olha, o resto da minha vida.

La Vie en Rose : e quando o futuro nos cai no colo?

Nem tudo tem um "porquê" ou um "porque", nem tudo tem um sentido, um fundamento ou uma explicação. Às vezes a vida, pura e simplesmente, acontece. E acontece de uma forma tão natural e simples, que parece mágica, transcendente, estonteante. INACREDITÁVEL. E nós paramos: queremos aproveitar, estranhamos a sorte, ficamos confusos. 

Às vezes ficamos tempo infinito à espera que aconteça alguma coisa que nos surpreenda, alguma coisa que faça a rotina sobressair de alguma forma, que nos faça mexer, sonhar, dançar à chuva, percorrer uma rua aos saltinhos, sentir um nervoso miudinho 24 horas por dia, tremer e estremecer, que nos faça arrepiar... e depois, pura e simplesmente, a vida aparece. O presente é visto como um verdadeiro presente, o passado passa a ser visto como uma coletânea de memórias, sentimentos e aprendizagens e o futuro fica como a página completamente em branco daquele caderno colorido que acabámos de comprar e que temos imensa vontade de começar a preencher e que parece que sabemos exatamente como vamos terminá-lo... E temos vontade de fazer tanto!

E depois tudo parece novo. Se calhar aquilo que está ali desde sempre, só agora é visto por nós. Se calhar o céu sempre foi assim azul e as estrelas sempre brilharam tão intensamente como hoje, mas a verdade é que estamos tão focados em esperar no que irá eventualmente acontecer que não nos apercebemos do que se passa realmente à nossa volta até que há um "clique" dentro de nós que diz precisamente "foi isto que estiveste à espera até aqui", e é como se o vento soprasse a nosso favor, é como se o mundo começasse a girar de uma forma completamente nova, é como se o inverno fosse tão animado como o verão, como as cores do outono fossem tão bonitas como as da primavera, como se todos os dias se pintasse uma nova paisagem para podermos apreciar, é como se toda a gente à nossa volta precise de viver o mesmo momento que nós e precise exatamente daquilo que nós estamos a vivenciar, é como se tudo o que sempre quisemos fosse aquilo, mesmo que nunca tenhamos perdido um único segundo da vida a imaginar a exata situação em que estamos.

E, de repente, tudo bate certo, como nunca bateu. Tudo mexe connosco como nunca mexeu. Tudo é inevitável. A vida fica rosa-algodão-doce como os sonhos que nos desejam quando somos crianças! E o mundo corre, acelera como se estivesse atrasado! Mas, ao mesmo tempo que a vida mexe a uma velocidade inimaginável para nos levar ao auge do momento incrível que se está a viver, nós temos todos os momentos do mundo, nós sentimos todo o tempo do mundo, todas as sensações à nossa volta, há um controlo que perdemos, um descontrolo que não controlamos e uma vontade ponderada e controlada que temos. Nós vemos tudo com o brilho de um caleidoscópio, o nosso peito ganha formigueiro e a nossa barriga borbuletas, mas apesar do fogo de artifício dentro de nós que parece não cessar, respiramos com a mesma calma que uma tarde de inverno à beira-mar transmite e com a agitação de uma hora de ponta.

E nós temos todo o tempo do mundo, mas não perdemos nem um segundo, porque depois o presente torna-se efetivamente num presente e nós ansiamos que o futuro corresponda a todas as expectativas que se criam inevitavel e constantemente, porque quando se pára no mundo desta maneira e se olha em redor, a vida é realmente extraordinária.

 

E, de repente, tudo encaixa perfeitamente. De repente, tudo é puro e claro, tudo combina. De repente, existe a sintonia perfeita. 

dente-leao.png

And suddenly, everything fits perfectly. Suddenly everything is pure and clear, everything is matching.

Suddenly, the perfect harmony, exits.

Ela apareceu.

"Ela é assim... Tem um ar de menina, pensamentos de moça e desejos de mulher. Não conhece o mundo como queria, mas vê o mundo como ninguém.

Ela quer algo real, mas não se esquece das estórias de encantar. Acredita no "viveram felizes para sempre", sonha com fadas e arco-íris e acredita no amor e acredita no cor-de-rosa. Não é ingénua, mas acredita no melhor do mundo, mesmo tendo noção do pior.

 

Ela vai sorrir com facilidade, vai emocionar-se com um vídeo simples, vai chorar no final de um livro e vai disfarçar com um comentário engraçado.

Ela não vai parar de sonhar só porque é (quase) impossível. Não vai deixar de acreditar só porque já falhou. Não vai deixar de sorrir só porque há coisas que não estão bem. Ela acredita em sorrir e no poder de um sorriso...

Ela acredita que tudo tem um lado positivo, por mais que pareça mal e em tirar o melhor dessa altura. Acredita na sorte e no azar, porque sem azar não há sorte... e ela tem tanta! Ela acredita pouco em coincidências: nem tudo acontece por acaso. Ela acredita no destino e em sinais. Ela acredita em pedir desejos às estrelas.

 

Ela exigirá sempre o teu máximo... não porque não esteja satisfeita, mas porque sabe do que és capaz e do quão feliz podes ficar quando chegares mais longe. Ela vai querer sempre mais: mais de ti, mais de vocês, mais do mundo, mais dela. Precisa disso. Mas, acima de tudo, mais amor e paz de espírito.

Ela nem sempre será uma princesa, mas podes acreditar que à tua frente será onde a verás mais perfeita e delicada.

Ela não é perfeita, nem nunca será, mas põe sempre o melhor dela em tudo que faz e faz o melhor que pode daquilo que lhe toca. 

 

E ela ama-te.

Ela ama-te sem perceber se é possível sentir mais do que o que sente por ti e surpreende-se a cada dia quando se apercebe que sim."

 

|| Abril de 2016.

Tempo para Tudo

O relógio não espera pela gente,

mas eu esperei por ti.

Deixo o tempo agora passar,

sem contar o que perdi.

 

Num sopro de nada, 

Num sopro de vento, 

Numa vida passada, 

Sem te ter como alento,

 

Numa gota de nada,

Numa gota de mar,

Numa história diferente,

Sem parar de sonhar.

 

O tempo não espera por nós,

Mas eu sempre esperei por ti.

Deixei o medo passar, 

Deixei de chorar, tentar.

Apenas sorri.

 

Sorri. Sorrio.

Continuarei a sorrir e a deixar sorrir.

Porque o tempo não esperou por mim, 

Mas eu sei o que foi preciso,

para conseguir sorrir assim

 

O tempo não espera pela gente, 

Mas eu acredito em mim, 

Acredito em ser diferente,

Acredito em chegar ao fim.

 

Num sopro de vento,

Num sopro de nada,

Eu esperei pelo tempo,

O tempo não me deixou parada.

 

Numa gota de mar, 

Numa gota de nada,

Deixando de lado o mundo,

Com a vida lançada.

 

Fiquei apenas eu

Apenas eu e o tempo mudo,

Com tempo para tudo.

 

[Tempo para Tudo, 2017] 

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