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#EsteOutroMundo

#EsteOutroMundo

Vive-te.

Sabes viver com o tempo,
com o vento,
com o relógio a contar.

Sabes viver com a chuva,
com a lua,
com os dias a passar.

Sabes viver com os sonhos,
com os medos,
com a vontade de acordar.

Sabes viver a vida,
desprendida,
com vontade de a despertar.

E vais vivendo calmamente,
relaxada,
encantada,
com os olhos a brilhar.

E vais vivendo o momento,
tranquila,
não vacila,
com o coração a vibrar.

E vais vivendo o sol,
o calor,
o amor,
com o peito a borbulhar.

E vais vivendo e sorrindo,
como quem quer paz,
sem olhar para trás,
mas as memórias a chamar.

E a vida leva-te ao colo
e tu levas uma vida e tanto,
uma vida e muito,
cheia de encanto.

E a vida deixa-te ir,
e tu cheia de vontade,
de ir, vir e sorrir
de respirar felicidade.

E a vida traz-te cor,
e tu deixas-te levar,
deixa-la fluir,
deixas-te pintar.

E a vida guarda-se em ti
e tu transpiras vida,
deixa-la chegar e fluir,
transpiras uma alma florida.

E vais voando,
vais vivendo,
com os teus sonhos e lemas,
os teus medos e dilemas,
com os teus problemas,
os teus sorrisos e esquemas.

E com uma veia colorida,
tu vives-te,
ela vive-te,
e tu vives a vida.

Cidade.

Segredei à cidade
o meu desejo de te ver,
o meu desejo de te ter,
de saber por onde andas,
de acalmar esta ansiedade.

Segredei bem baixinho,
com vontade de desvendar
os sonhos que tenho por contar,
os pesadelos que tanto quero esquecer
e deixar ir devagarinho.

Segredei quase silenciosamente,
como quem não quer perturbar,
como quem não quer acordar,
o mundo que ainda dorme
e pensa conhecer-me perfeitamente.

Segredei à cidade
todos os momentos prometidos,
todos os momentos tão vividos,
e os que ficaram por passar,
recordando-os com claridade.

As luzes da cidade piscaram,
talvez a dizer que perceberam,
talvez a dizer que me ouviram,
talvez só porque sim,
sem saberem dos segredos que lhe contaram.

Os carros da cidade desapareceram,
deixaram de correr,
deixaram de se ver,
as ruas ficaram desertas,
sem as palavras que não se disseram.

Segredei à cidade
tudo o que ficou por acontecer,
tudo o que ficou por dizer,
como quem tanto quer paz,
como quem só quer felicidade.

Segredei à cidade minha
tudo o que de ti visitei,
cada beijo que troquei,
em como te dei o que era meu,
em como te entreguei o que não tinha.

Segredei à cidade,
sem qualquer esperança,
coração de insegurança,
olhar cheio de sonhos,
e alma cheia de vontade.

Segredei sem parar
à cidade partilhada,
à cidade tão explorada
como cada canto teu,
cada traço desse olhar.

Não quis esconder nada,
à cidade que era tudo,
à cidade que era um mundo
à cidade que conhecia
toda a história encantada.

Segredei à cidade tua,
que não sei,
não conheço a lei
de amores perdidos
desfeitos à luz da lua.

E eu pensei num final bem credível,
não fosse alguém reparar,
não fosse alguém querer acreditar
na descrição tão real
de um sonho quase impossível.

Inventei um final feliz,
que gostava de ter tido
que me haviam prometido,
final de seres tão meu,
final que sempre quis.

Não sei se a cidade me ouviu,
de tão baixo que falei,
de tão alto que calei
as lágrimas que falaram
de um futuro que fugiu.

Aquela cidade ficou lá
e eu decidi vir embora,
eu que sempre fui de fora,
que a assumi minha por ti,
pedi-lhe para te trazer para cá.

Segredei à tua cidade
o meu desejo de viver,
o meu desejo de me ter,
de poder fazer tudo sem ti,
e aprender a calar a saudade.

Descanso em ti.

Eu descanso:
ao chegar a casa e ter-te lá,
sorrindo para mim, 
eu descanso.

Eu relaxo, 
ao ver os teus olhos brilhantes,
da perspectiva do teu colo,
eu relaxo.

Talvez nunca te tenha dito,
mas tu és o meu descanso.

Tu és o meu descanso,
o meu aconchego,
o meu abrigo,
o meu travesseiro favorito.

Tu és a minha calma, 
és o meu casulo,
o meu sonho mais bonito,
a melhor canção de embalar.

És casa,
és morada,
és teto,
as quatro paredes mais seguras.

És o céu, o meu céu,
e a terra,
e o inferno,
és os pés no chão,
a razão da cabeça no ar.

És decência,
perdição,
ponto forte,
ponto fraco,
virtude e defeito,
devoção.

És consciência e irreflexão:
És nascer e por do sol,
Luz e escuridão,
És estrela e és lua,

Sorte a minha,
ser tão tua!

E eu descanso em ti,
que és ponto de encontro
de emoções conhecidas,
de emoções perdidas
ou nunca sentidas,
de emoções promovidas
pelo toque do teu sorriso.

E eu relaxo contigo,
que és fogo e tempestade,
que és paz e calmaria,
que me afoga e traz acima,
que me suga e dá energia.

Talvez nunca te tenha dito,
mas tu és o meu descanso,
o motivo de desligar,
o meu toque de despertar.

És a página mais gasta,
do bestseller mais lido,
és a cor que me fica melhor,
o meu filme preferido,
a música mais ouvida,
com a letra que sei de cor.

És Norte e Sul,
caminho por explorar,
que conheço de ponta a ponta.
És montanha mais alta,
o precipício que não tenho medo de saltar.

És confiança e segurança,
és força que me abraça
e me deixa as pernas bambas,
és recreio em dia de escola,
pausa para café
aberta em céu nublado,
água fresca em dia de calor,
a primeira dentada num gelado.

És silêncio e som,
o melhor pedaço
de cada momento bom.

És as cores todas juntas,
arco-íris a preto e branco,
o longe que se faz perto,
a folga e o aperto,
o equilíbrio,
o errado que não podia ser mais certo.

És o doce e o amargo,
de beijos deliciosos.
És o picante e o salgado,
a sobremesa mais procurada,
a surpresa tão esperada,
o detalhe destacado.

E eu descanso em ti,
quando me acolhes ,
quando realmente me envolves,
quando dizes que me escolhes,
para sempre.

E eu deixo-me relaxar,
quando finalmente me abraças,
e eu me encaixo em ti,
nos braços que me apertam,
sem nunca me apertar,
no peito que desperta
em sintonia com o meu descansar,
nos ombros-casa que me chamam a gritar.

E tu és manhã, tarde e noite,
a melhor parte do meu dia, 
desespero e esperança,
a minha constante inconstante,
a minha impaciência incontrolável,
a minha energia contagiante.

E eu deixo-me ir em ti,
em ti que és loucura e sanidade, 
tona e profundidade,
o labirinto em que nunca me perco,
curva acentuada em linha reta,
a clara definição de saudade.

E eu descanso em ti,
na tua presença,
no meu finalmente,
no teu para sempre,
no nosso princípio, meio e fim.

...

Podia ter sido a mais incrível das histórias,

o segredo mais secreto,

podia ter sido fantástico como a magia,

discreto como uma brisa suave,

arrepiante como a água gelada,

podia ter sido do tamanho do universo e profundo como o oceano,

podia ter sido suave como a seda e forte como o grafeno,

podia ter sido ansiado como a chuva em sítios de seca,

mais agitado que um furacão,

recordado como cada por do sol...

 

Poderia ter trazido a paz e calmaria,

que se queria.

 

Podia ter sido o mais bonito conto de fadas,

O mais terno sonho,

O mais tocante sorriso,

O mais inocente toque,

O mais inesquecível momento.

 

Podia ter sido mais que uma memória e um olhar,

Mais que meia dúzia de piadas e uma mão cheia de beijos.

Podia ter sido mais que tudo,

Podia ter sido o melhor,

Mais que o mundo,

Muito mais que nada.


Podia ter sido sempre tudo,

e para sempre,

se tu quisesses,

se tu deixasses,

se fosse para ser,

se o mundo e se o tempo -

o amargo, intempestivo, imprevisível e inoportuno tempo -

o permitissem.

Faz-me sonhar, como sempre.

É estranho como o mundo gira e me leva de volta até ti,
como se quisesse que comparasse o que fomos ao agora
e me quisesse a querer-te comigo aqui ,
como antes, como outrora.

Decididamente, acredito hoje, mais que nunca, que as coisas acontecem por uma razão e, aqui estou eu, pronta para o que vier daí, preparada para todas as coisas estranhas e vislumbres. Porque já vi que (pelo menos) o (meu) mundo é assim.

E tu vens, de rompante,
e vais de repente,
e voltas de fininho,
e desapareces mansinho
e perdes-me no meio de sonhos e sentidos,
memórias e vontades,
medos e verdades.

E eu vou ceder.
Se vieres, eu sei que não resisto.
E se fores, eu sei que eventualmente, de uma forma ou de outra, voltarás.
E se não voltares, saberei antes de tomares essa decisão.

Porque eu já decidi algumas vezes por um ponto final que, no final, virou uma vírgula baça, quase transparente e agora tenho sérias dúvidas se estas reticências serão o encerramento da tua frase.

Se forem, eu sei que um novo parágrafo vai surgir e, sinceramente, estou mais despreocupada que nunca.

Se não forem, por favor, volta com tudo. Volta com todas as palavras que sempre usei para te descrever, com toda a carga que te envolve desde que sou pequena, volta com os meus sonhos no colo e com o meu coração nas tuas mãos.

Ou então, deixa-me ir,
deixa-me perder-me noutro alguém,
deixa-me criar outros sonhos,
deixa-me escrever uma nova história.
Deixa-me escorregar para o futuro,
como se nunca tivesses considerado um comigo.
Deixa-me abraçar um novo mundo,
como se nunca tivesse partilhado o meu contigo.

Ou então vem, vem decidido
vem de vez, vem agora
fica eterna e discretamente,
fica como antes, como outrora.
Toca-me, prende-me, ama-me.
Faz-me sorrir e ficar.
Faz-me poder ver-te,
Faz-me poder ter-te,
Faz-me sonhar,
Como sempre.

Tempo para Tudo

O relógio não espera pela gente,

mas eu esperei por ti.

Deixo o tempo agora passar,

sem contar o que perdi.

 

Num sopro de nada, 

Num sopro de vento, 

Numa vida passada, 

Sem te ter como alento,

 

Numa gota de nada,

Numa gota de mar,

Numa história diferente,

Sem parar de sonhar.

 

O tempo não espera por nós,

Mas eu sempre esperei por ti.

Deixei o medo passar, 

Deixei de chorar, tentar.

Apenas sorri.

 

Sorri. Sorrio.

Continuarei a sorrir e a deixar sorrir.

Porque o tempo não esperou por mim, 

Mas eu sei o que foi preciso,

para conseguir sorrir assim

 

O tempo não espera pela gente, 

Mas eu acredito em mim, 

Acredito em ser diferente,

Acredito em chegar ao fim.

 

Num sopro de vento,

Num sopro de nada,

Eu esperei pelo tempo,

O tempo não me deixou parada.

 

Numa gota de mar, 

Numa gota de nada,

Deixando de lado o mundo,

Com a vida lançada.

 

Fiquei apenas eu

Apenas eu e o tempo mudo,

Com tempo para tudo.

 

[Tempo para Tudo, 2017] 

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