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#EsteOutroMundo

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Quase-Inverno

Normalmente, quando as coisas não estão bem, o nosso corpo amolece, não temos vontade de sair da cama. Enfrentar o dia lá fora é algo que queremos, com todas as coisas, evitar. Deprimimos, custa a respirar... custa saber que temos dúvidas se realmente queremos voltar a respirar. Não adianta: as memórias boas, os momentos incríveis... parece que ainda nos derrotam mais.

Estamos cansados. Estamos moles. Estamos em baixo (sentimo-nos no fundo). Estamos partidos. Estamos com todo o peso do mundo em cima. Sentimo-nos impotentes, nervosos, incapazes de fazer o que quer que seja. E a vida parece que nunca mais vai acenar uma bandeirinha branca.

 

Normalmente, não queremos ver o tempo passar. Queremos que o mundo fique exatamente onde estava quando esta sensação de vazio começou. Queremos refazer tudo, como se mudasse efetivamente alguma coisa. Mudaria?

 

Às vezes, esperamos tanto tempo por uma réstia de momento com felicidade extrema que, de repente, quando eventualmente, por qualquer momento, esse momento desvanece, parece que nunca mais vai regressar. Entristecemos ainda mais. Voltará?

Voltaremos a sentir toda aquela explosão? Voltaremo-nos a sentir em êxtase com a vida? Sorriremos? Teremos novamente felicidade para abraçar de vez?

 

Normalmente é assim que acontece, e parece que nunca somos suficientes. Seremos? Serei?

Normalmente é assim que acontece... Mas desta vez as memórias têm efeito calmante. Desta vez, os bons momentos fazem-me sorrir, apesar de todo o resto à volta estar enevoado longe - e parece tão, tão longe! - de se ver qualquer traço de céu azul! Desta vez, apesar de tudo estar tão errado, consigo sentir algo a continuar a vibrar cá dentro. Desta vez, mais que mágoa, sinto gratidão e tudo o que foi dito dá esperança, tudo o que foi pensado dá friozinho na barriga, todas as respirações junto a mim continuam a arrepiar como se fossem, ainda, reais.

Todos os olhares continuam presentes como se de um bom presságio se tratasse. Será um bom presságio ou uma despedida, porque não voltarão?

 

Normalmente, a vida acontece e nada acontece "porque sim". Mas queremos que os "porque sim" se encaixem dentro da vida. Eles são tentados a entrar dentro da vida... e dos sonhos.

Normalmente, quando o corpo amolece, perdemos a paz, perdemos a esperança e tudo o que foi bom magoa. Desta vez, perdi a paz, mas mantive as borboletas agitadas na barriga, e tudo o que foi bom aquece e aconchega (e os dias estão tão frios e cinzentos neste quase-inverno que parecia impossível aquecer a alma!). A esperança está um pouco baralhada, mas ao menos, o que foi bom, faz continuar a sorrir timidamente (mesmo que apenas por segundos, até a realidade voltar). Mas ao menos, o que foi bom, faz ter sonhos que aquecem a vida e o coração neste quase-inverno gelado.

 

Mas, ao menos, mesmo sem tudo correr bem, tudo gira à tua volta, tudo cheira a ti, tudo me leva a ti e, quando sinto a tua presença neste quase-inverno, eu posso estar a sentir todo o resto, mas sei que não vou sentir frio.

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