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#EsteOutroMundo

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Da tua bicicleta.

Da garupa da tua bicicleta, tu pedalas. 

Vais contra o vento, numa velocidade aceitável, mas com uma concentração de quem tem uma meta a alcançar.

Focas o ponto do horizonte e pedalas como se a tua vida dependesse disso, como se não houvesse amanhã. Concentras-te no destino que queres alcançar, remas contra a corrente, corres em contra relógio, com os cabelos a esvoaçarem e deixarem para trás um rápido rasto teu.

 

Para quem te conhece, não é só o vislumbre do teu cabelo que se atrasa em relação a ti, mas o teu perfume que te lembra a quem pensa que te esqueceu, o aroma que deixas no ar como prova da tua passagem por qualquer ponto de partida, por qualquer pedaço de vida.

É um cheiro infalível, mesmo para a mais fraca memória olfativa - inevitavelmente, fará qualquer pessoa lembrar-se de ti... ou nunca ousar, sequer, esquecer-te!

 

Ouvir-te será um bónus e só os mais espertos terão coragem de te escutar. Mas se te ouvirem, recordações serão para sempre amaldiçoadas (ou abençoadas) com o tom que te persegue, a ti que poucos percebem, a ti que poucos têm a audácia de conhecer.

 

E sobre duas rodas, vives essa vida que é tão tua, saboreias o vento, alcanças o horizonte e sentes, contra ti e a teu favor, a fricção da velocidade do ar, a sinergia de um respirar, a rotina de um mundo a girar.

 

Nem tu sabes o destino que tanto pedalas para tocar, mas quem te conhece cumprimenta a tua vontade e energia quando passas. Não é sorte ou azar brindares portas, portões e lugares com a tua passagem - mas não duvides do quanto isso vai influenciar a vida de quem cruza a tua rota tão decidida, a tua rota tão incerta, tão espontânea e discreta, essa rota tão tua.

 

Da garupa da tua bicicleta, galopas o mundo, cada canto que tu queiras e que alcanças daí, em todo o seu explendor, em 360º, sem ângulos mortos! Acenas a quem te ilumina o caminho (que que às vezes fica mais escuro, que às vezes perde a cor) e, sem que às vezes saibam, guardas isso com carinho. Tu tens sonhos que levas contigo - às vezes no cestinho, às vezes na mochila, às vezes no coração, mas leva-los sempre, como quem não tem medo de sonhar, medo de mostrar que sonha, medo de mostrar que o sonho comanda o teu pedalar. 

 

Tu pedalas sem destino, com sonho e com esperança, sem saber o que vais encontrar, sem rota ou hora marcada. Mas tu sabes bem onde queres chegar... não sabes?

Por mares já navegados

Um dia desapareceste entre espuma branca e ondas altas, em direção a Sabe-se-lá-onde. Nesse momento, pensei-te navegante de outros mares para sempre, pensei-te explorador de outras costas, entusiasta de outras encostas, longe de qualquer vista mar.

Mas depois tu decidiste um regresso e aportaste no meu cais, de novo, quando te pensava entre ondas e marés. Aportaste no meu cais, talvez perdido de tormentosas tempestades, talvez oriundo de terras distantes, talvez, quem sabe, das profundezas do oceano, talvez indisposto da viagem, talvez sem saber onde o destino te traria.

Horas, dias, meses: o tempo que passara era-te desconhecido (na verdade, até para mim) e eu olhava para ti como se olhasse para o meu horizonte, sem saber como te acalmar deste teu fado impetuoso (se saber como me acalmar desta incerteza imprevisível), sem saber como esclarecer as dúvidas que terias, sem saber como te ler esse olhar impenetrável que diz o contrário do que os teus lábios pronunciam. A verdade é que, quando partiste, julguei-te perdido para sempre, julguei-me desprendida de ti, julguei solução as ruas mais distantes do porto de onde saíste e, agora, aqui estava eu: percorrendo todo o caminho de volta até à nossa margem, onde pensei nunca mais voltar e onde a altura da água é a mesma depois das lágrimas que lá deixei cair ao ver-te ir, passando pelas marcas da minha determinação deixadas na direção contrária nas pedras de calçada. A paisagem parece um pouco diferente agora que o teu barco está no cais: o sol parece mais brilhante, as ruas mais cheias de cor, as margens mais translúcidas.

 

E eu aqui, a esperar por te receber de novo neste teu regresso, rezando para que acredites que teremos a melhor vista mar do mundo inteiro.

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"É magia o que se faz com os doces"

ATENÇÃO: POST COM ALTA QUANTIDADE DE DOÇURA. DIETAS EM RISCO.

Acreditam em magia?
Eu já acreditava, mas depois de descobrir este sítio, fiquei ainda mais convencida.
A Velvet nasceu em 2015, digna de um conto de fadas, para trazer a Viseu “algo diferente”, fazer algo para a cidade e para o que as pessoas são, com doces de designs perfeitos, texturas aveludadas e sabores coloridos.

Sabem a pastelaria tradicional? Esqueçam! A Velvet é saborosamente inesperada.
O principal ingrediente é o sabor. E depois usa outros “pózinhos” diferentes do habitual nas suas confeções: a paixão, que se saboreia em cada "bocadada" e o perfecionismo, porque “se é para fazer, é para fazer bem feito!” e isso vê-se em cada detalhe.
E porque o que é da terra sabe sempre melhor, apadrinhar os produtos da região, abraçando a sustentabilidade local, é uma das prioridades. A Velvet não usa corantes ou intensificadores de sabor: usa produtos frescos, caseiros e de produtores locais sempre que possível, adaptando, assim, normalmente as criações à altura do ano.

A inspiração e os truques que tanto a destacam vêm dos grandes chefes de pastelaria e das experiências gastronómicas vividas pelos criadores desta marca, Marina Rebelo e Pedro Teixeira. No entanto, tudo o que veem associado à Velvet é fruto da persistência e do desejo de continuar a serem diferentes e de terem a sua própria identidade - missão, claramente, cumprida!

Os Cupcakes são a imagem de marca e as Pavlovas foram reconhecidas pela revista EVASÕES, mas a Velvet tem muito mais: tem gelados vegan, tem bolo de maçã e cheesecake cozido, tem limonadas e doces divertidos, tem texturas incríveis “que nos trazem as vivências”, tem sobremesas exclusivas espalhadas por espaços da cidade como o Home Sushi & Asian Food, tem sobremesas comemorativas da nomeação da cidade de Viseu como Destino Gastronómico 2019. E tem presença em muitos dias especiais, com confeções tailor made, criando “histórias em que as pessoas recordem o sabor e a diferença mas, em que essencialmente, recordem o dia”.
E se acharam que alguma destas coisas é cliché, desafio-vos a visitarem e verem por vocês mesmos se o que foi utilizado para descrever a Velvet não se desfaz na vossa boca. Para mim, é paragem obrigatória.

Quanto à analogia a conto de fadas, se pensam que é exagerada, vejam a primeira imagem.
A sério, visitem e tornem a vossa vida mais doce.

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[bolo de batizado criado pela VELVET - imagem Velvet]

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[ deliciosa pavlova VELVET]

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[LA TANGERINE , primeira sobremesa destino Gastronomia de 2019 - imagem Velvet]

 

 

O dia depois de amanhã.

Eles acham que sabem. Eles devem pensar que basta olhar para saber. Mas eles não sabem: não sabem nada! Eles nem se quer imaginam.

Se eles soubessem, talvez fosse diferente, talvez agissem diferente, talvez as coisas fossem de outra forma, talvez vissem as coisas com outros olhos, e talvez o mundo conspirasse com outros ventos.

Eles acham que sabem, que basta olhar para saber, mas ele não sabem nada. Eles nem se quer imaginam!

 

Se soubessem, talvez pusessem o mundo a nosso favor, talvez unissem esforços por nós, talvez conspirassem a nossa aproximação definitiva, talvez nos empurrassem para a nossa épica reconciliação. Se eles soubessem, se calhar havia uma biografia escrita por alguém desconhecido, que ganharia fama assim. Talvez servisse de história de encantar. Uns anos mais tarde, se eles soubessem, talvez estreasse um filme, cheio de pompa e circunstância, cheio de vontade de ser. Talvez se tornasse num clássico de cinema. E depois toda a gente saberia ... ou pelo menos, achariam que sabiam. Como se bastasse ouvir para saber. Mas eles não saberiam: nunca saberiam!  Nem se quer lhes passaria pela imaginação! 

Eles nunca saberiam o que aconteceu: tudo o que vivemos antes de nos vermos a primeira vez, nem de como lá chegámos, àquele ponto de encontro, àquele ponto da história.

Eles nunca teriam a mais ínfima ideia do que os nossos corações se controlaram quando nos pusemos os olhos em cima, do que os nossos corações adivinharam da primeira vez que chegámos perto um do outro, do que os nossos corações partilhavam no silêncio dos nossos sorrisos, do que os nossos corações sabiam um sobre o outro. Acho que nem nós tivemos um pouco da noção do que se passava entre os dois: da sintonia do batimento cardíaco, como se cantassem afinados a mais sentida das baladas; do conhecimento sobre cada curva, cada veia, cada tom, como se se fossem perder um no outro e quisessem dispensar o mapa. Acho que só eles sabem o que realmente aconteceu connosco.

 

Se os nossos corações falassem, acho que apenas deles sairia a derradeira verdade: só eles saberiam descrever com exatidão cada sensação liberta, cada arrepio sentido, cada sorriso partilhado, cada olhar trocado, cada abraço apertado, cada palavra proferida, cada impulso contido, cada desejo cedido. Se os nossos corações falassem, seria a única forma de o mundo ter uma muito ligeira ideia do que ficou por dizer e por sentir, do que foi repetido vezes sem conta sem nunca parecer suficiente.

E o que foi repetido foi tanto, e mesmo assim não parece ter sido repetido vezes suficientes: as palavras, os gestos, os olhares, as palavras, os toques, os arrepios, as palavras, os desejos, as palavras, os sonhos... E tudo seria mais fácil se continuassem a ser repetidos. E o mundo não sabe: o mundo não faz ideia do que foi (e do que é) . Não faz ideia do que fomos (do que somos, do que queremos ser).

 

E eles acham que sabem. Eles acham mesmo que sabem. Mundo ridículo, que pensa que alguma vez vai perceber. Mundo estúpido este, que pensa que alguma vez vai saber. Eles não sabem: não sabem nada! Eles nem se quer imaginam! 

Acho que nem nós sabemos. Acho que nem nós soubemos, se quer. Acho que nunca soubemos, apesar de tudo. Nem poderíamos, porque o resto lá fora passou tão rápido -  a vida correu tanto, foi tão díspare. Acho que só os nossos corações souberam.

Eles souberam e estão a ser teimosos, a castigar-nos. A castigar-nos por os termos deixado desamparados.

 

Acho que se os nossos corações falassem, apenas deles sairia a derradeira verdade: só eles saberiam confessar sem nenhuma confusão o que fomos, o que somos e o que podíamos ser, se o mundo soubesse de um pouco, se o mundo ajudasse nem que fosse um pouco, se a vida fosse nossa cúmplice. 

 

Porque o mundo não sabe, só finge que sabe - e finge mal. E já lá vai algum tempo, e nunca ninguém vai saber de nada... E nós nunca vamos saber de nada, só vamos esperar por eles: vamos esperar que eles falem, que se vejam, que se toquem, que se cruzem, que eles se juntem, de novo, na vida. Vamos esperar que se sonhem. Tomara que ainda queiram!

E o mundo nunca vai saber... mas talvez nós saibamos... talvez um dia por aí... talvez hoje ainda, talvez amanhã. Talvez eles ainda se sintonizem no dia depois de amanhã.

Acordar, olhar, respirar, repetir.

Aprendi com o tempo a deixar o mundo girar consoante a sua vontade: sem pressas, sem grandes medos, sem grandes expectativas.

 

Sempre disseram que a pressa é inimiga da perfeição e eu comecei a acreditar que se deixarmos a vida fluir, a perfeição pode chegar. Comecei, então, a ter medo de estar demasiado apressada e não reparar nessa perfeição, comecei a ter receio de que estivesse demasiado embrenhada em planos, ia estar distraída quando no seu fluxo ela me trouxesse algo tão maravilhoso que não haveria segunda chance.

Nem sempre é fácil deixar-nos ir: as coisas aparecem de repente, mudam a velocidades estonteantes, descontrolam-se com facilidade. Deixamo-nos ir, mas as coisas novas não vêm - nem de perto, nem de longe - com um livro de instruções ou GPS e eu fico sem saber o que fazer, caio no dilema do coração e da cabeça, no dilema do deixar ir ou tentar acertar. E a cena repete-se: sigo os meus impulsos, guio-me pelos desejos, cedo às minhas vontades voláteis e aos sonhos de menina que já devia saber o quão pouco encantado é o mundo onde vive e o quão mal pode acabar esse capítulo. 

E a cena repete-se : se cair, levanto-me. Para todos os efeitos é só mais uma nódoa negra... ou no máximo uma nova cicatriz que vai caindo em esquecimento, para que da próxima vez eu me esquecer que ela lá está e, provavelmente, voltar a, pelo menos tropeçar na mesma asneira. Porque é tão difícil resistir a um coraçãozinho acelerado e um mundo encantados que, eventualmente, me volta a visitar...

 

E a vida corre, parece que cada vez mais acelerada, como aqueles jogos em que se errarmos, não só perdemos pontos, como o cronómetro anda mais rápido.

 

E eu acho que acabo por ter pressa de chegar, de saber, de conhecer. Aliás, eu sou assim no dia - a - dia: se a paisagem final é tão melhor, porquê perder tempo num caminho que já conheço? "Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"*, dizem eles. E, pelo menos, é assim que interpreto a frase. 

Mas, às vezes, quando sinto o mundo mais acelerado que eu, abrando. Do que vale a pressa de chagar a uma paisagem bonita se podemos perder todas as vistas do caminho, às vezes tão ou mais incrível que a do nosso destino?

 

Acho que este equilíbrio é necessário. É necessário saber acelerar, mas é necessário abrandar e olhar à nossa volta, porque muitas (ou quase todas as) vezes, quando paramos e olhamos em volta, a vida é realmente fantástica.

E acho que foi por isso que fui perdendo a celeridade, que perdi a inconsolável vontade de descobrir a razão das coisas. Descobri que mesmo se deixarmos de nos mexer por completo, o mundo continua a girar e, (nem sempre, mas) por vezes, é bom aproveitarmos o que ele nos traz da sua mais recente viagem.

Dia de chuva.

Hoje está a chover. Parece que o dia adivinhou a tua ausência, e eu fui acordada pelo toque do despertador que, sem dó nem piedade, me fez aperceber que era mais um dia sem o despertar suave dos teus lábios e do quente do teu abraço. 

O meu corpo também se ressentiu: acordou mole e mal disposto. Foi impossível acordar com um sorriso nos lábios ou um olhar desperto. Acordei pesada, obrigada, embriagada de sono, com o barulho insuportável do novo dia rotineiro e com o peso das cobertas solitárias e solidárias que tentam, com tanta força e fracasso, substituir-te. Coitadas... se elas soubessem o que eu dava para te ter a ti em vez delas!

Nos dias em que estás é diferente. O dia lá fora desperta-nos delicada e deliciosamente com um beijo de luz, e tu acordas-me com um toque quente, um toque quente e tão delicioso como a sensação de dar o primeiro golo na cerveja gelada de fim de tarde escaldante de verão, que mesmo quem não gosta, imagina como saberá tão bem. O teu abraço dá-me umas boas vindas a um novo dia. Umas boas vindas tão reconfortantes como a sensação de vestir o pijama ao chegar casa depois de um longo e stressante dia de inverno e ir para frente da lareira com uma manta.

Fecho os olhos inconscientemente e, como uma criança a olhar para uma estrela cadente, faço um desejo secreto de que estejas cá amanhã, e depois, e depois, e a seguir. Ou... ou depois, ou no dia seguinte, ou no a seguir. Porque a tua companhia faz-me bem! Faz-me tão bem como as mesinhas caseiras que as avós tanto querem impingir quando nos queixamos de algo - e que, efetivamente, nos fazem melhorar tão rapidamente.

 

Percebo a dificuldade que a vida nos trás, para que tudo isso possa acontecer. Percebo a indiferença da rotina quanto a esse assunto. Percebo a relutância que o mundo terá em nos dar mais tempo. Percebo a hesitação dos nossos corações, num assunto que ambos sabemos como começou, como acontece, onde pode chegar e como pode terminar, dado a um histórico tão presente, que tentamos ignorar.

Tudo isso é compreensível. É complicado conciliar tanta coisa... ainda por cima quando a única coisa que está em causa é o meu bom acordar, o meu bom humor e a minha pujança corporal. Eu encolho os ombros cansados, suspiro profundamente, faço um sorriso meio amarelo e mostro a minha condescendência: com a vida, com a rotina, com o mundo, contigo e com o teu coração. Acalmo o meu que só se lembra da primeira e única coisa que os meus olhos entreabertos e embargados conseguem ver, depois de despertar de uma noite contigo ali, do meu ladinho, como devias estar sempre: o sorriso que me lanças. Esse sorriso que faz o meu dia brilhar, por mais chuva que esteja (e me faz sorrir tanto, também... e que me aquece tanto.

Tudo isso é compreensível. Mas, como se o dia tivesse adivinhado a tua ausência, acordou cinzento e com chuva. Com muita chuva! E o meu corpo ressente-se porque não compreende a chuva - ou a tua ausência. Encolhe-se, retrai-se, amolece, cansa-se: quer-te por perto.

Falar de amor.

Querem-me proibir de falar de amor: dizem que não sei o suficiente ou que sei de mais, dizem que sonho alto, dizem que a vida não é uma estória de encantar, dizem que não é um mundo cor de rosa.

E então, como se os sentimentos tivessem idade ou uma data de validade, dizem que não posso falar de amor.  Como se não se pudesse sonhar só porque nem sempre as coisas correm como queremos. Como se o amor fosse uma coisa linear, uma coisa específica, querem fazer-me acreditar que não existe.

Estes descrentes, ateus de romance e qualquer outra coisa que faça lembrar o amor. E depois dizem que não sei falar de amor. Dizem que não se fala do que não se sabe, e como consideram demasiado a sério a hipótese de eu não saber o que é amor, dizem que não posso falar dele.

 

Mas eu não os ouço. Não os ouço e falo de amor. Porque gosto falar de amor e é a única coisa que acredito sem sombra de dúvida.

Sonho alto e falo de amor, e de todos os sonhos que tenho com ele. E dos castelos no ar que me faz criar, das estórias encantadas que imagino e me encantam. Falo de como muda o meu mundo, de como cria a minha bolha e um filtro especial. 

Vivo num mundo cor de rosa, com uma pitada de realidade. Porque o mundo real é tão hipócrita, que o maior disparate do mundo, seria viver no mundo real com uma pitada de cor de rosa. Não preciso de me alienar ao que vem do mundo real, mas posso por um filtro cor de rosa, e tentar ignorar o máximo possível o que quer escurecer esse mundo. De qualquer maneira, poucos devem ser os que acham um rosa-escurecido bonito.

 

Não sei se vou estar sempre assim ... e até talvez, lá no fundo, examine a minha existência e saiba que tenho vários motivos que me pudessem fazer duvidar dele. Talvez às vezes, por pensar mais com a cabeça e por o coração de lado, tente desconfiar do amor, tente não acreditar na sua existência. Mas depois vêm os sonhos. Vêm as vontade e desejos, vêm os olhares apaixonados, os sorrisos perdidos de amor, os nervosos miudinhos. Vêm os dias que correm mal, quando se está mal de amores ... Ou mal com quem amamos. E vêm os dias de sol, os dias de magia, os dias de quase-explosão e de espalha-felicidade quando tudo se resolve.

Porque o amor é mais que paixão. O amor existe de todas as formas na nossa vida. E depois sabemos que ele existe, se abrirmos os olhos a isso: ao apaixonar, ao acreditar e desconfiar, ao abraçar e sorrir, ao discutir, ao proteger e querer saber. Porque o amor é o pior sentimento do mundo, tal é a intensidade que dói e nos faz sentir impotentes.

É por isso que acredito tanto: porque sentimos tudo. Sentimos as idas e as vindas, a felicidade e a mágoa, a energia e a derrota.

O amor não é hipócrita e mostra o lado mau do mundo (do coração, da cabeça, do corpo e da alma). E nós podemos fechar-nos ao amor, mas o amor continua lá, a existir, nós é que fechamos a porta (e esquecemo-nos de abrir a janela): é a velha história de "se partes do pressuposto que não acreditas em algo, já estás automaticamente a por a hipótese de que exista". 

 

Mas vou falar de amor.

Vou falar de amor sempre que me apetecer. Do meu e dos outros. Do amor próprio e do amor por quem me rodeia. Da paixão e não só. 

Vou sempre falar de amor e ser apaixonada pelo amor. E viver no meu mundo cor de rosa, sonhar com tudo o que tenho direito e com tudo o que as estórias de encantar me deixaram a acreditar.

E vou viver o amor em modo repeat, como se fosse a primeira vez. E talvez alguma vez, seja efetivamente a primeira. E talvez eu nem perceba... E talvez eu até já saiba qual é.

O tempo perguntou ao tempo

Ultimamente não temos tempo para nada. Vamos de casa para o trabalho e do trabalho para casa em modo robô, quase que não precisamos de ver o caminho... Quantas vezes chegamos ao destino e não nos lembramos de ter passado em certo lugar que sabemos que temos de ter passado?

 

Ontem estava com pressa de chegar a casa, tinha horário marcado e saí a horas do trabalho, mas o autocarro atrasou, havia trânsito e quando se aproximava a estação de metro, comecei a calcular o tempo que tinha para ainda conseguir chegar a tempo.

 

Mas não controlamos

impulsos.

 

Quando saí do autocarro estavam dois músicos de rua a tocar uma das mais bonitas melodias que me lembro de ouvir. Por aqui há muitos músicos de rua a entreter e encantar... mas normalmente cantam ou tocam sucessos musicais. Estes tocavam apenas – sem voz a acompanhar – e uma música que nunca tinha ouvido. Guitarra e violino apenas...

 

E eu que adoro

violino!

 

Os meus ouvidos começaram a ouvir a música assim que saí do autocarro: para além de ser um som bonito, era um som novo naquele sítio. Tenho passado ali duas vezes por dia, cinco dias por semana, fez precisamente ontem dois meses (algo que também acabei de reparar, nem a propósito deste texto) e nunca tinha ouvido nenhum músico ali... até ontem, dia em que não tinha tempo, ontem que não tive oportunidade de ficar e ouvir. Mas mesmo assim, o meu corpo robotizado hesitou ao passar por eles, como pedindo à irracionalidade os dois minutos de inconsciência que me iam fazer chegar ainda mais atrasada. Não podia. Mas queria tanto!

 

Quis tanto ter

tempo!

 

Nunca me lembro de ter aquela sensação... Queria de tal forma ter ficado que fui o caminho até casa a pensar naqueles três segundos de hesitação e na quantidade de vezes que os nossos ouvidos não ouvem, que os nossos olhos não veem, que o nosso relógio não para, que o nosso modo robô está ativado e que até a respiração parece uma coisa tão supérflua. Na quantidade de vezes que temos a cabeça cheia de coisas para pensar, a agenda cheia de coisas para fazer... e no final, não conseguimos ver nada. Não conseguimos viver nada. Olhamos para o relógio para ver as horas, para contar o tempo que depois não aproveitamos porque é tudo tão natural que já não reparamos. Estamos stressados, cheios de coisas para fazer que o dia parece mais pequeno do que devia e depois a vida passa... passa rápido de mais porque estamos tão ocupados que nem aproveitamos as pequenas coisas.

 

" A vida passa enquanto fazemos planos "

Que mundo é este?

É estranho quando estás habituado a uma coisa e depois, do nada, isso desaparece. Seja o que for... E neste caso não foi só uma paisagem.

É realmente chocante estar a passar por um sítio que há tão pouco tempo era tão colorido e cheio de vida e agora parece uma floresta zombie, um bosque fantasma, uma certeza irreal, o rosto da tristeza, um retrato do inferno, uma descrição de história de terror... Descrição de uma história de terror bem real e aterrorizante: a história de terror que se passou há uma semana atrás. Uma noite prematura de Halloween sem doces.

 

Só travessuras: travessuras repugnantes, travessuras cruéis, censuráveis, imensuráveis e incompreensíveis.

 

Travessuras sem nada de TRavesso. Só de avesso, mesmo.
Avesso a tudo o que é natural e possível, a tudo o que é bonito. A tudo o que devia existir e a tudo o que não devia acontecer. 
A natureza conhecida e desconhecida ficou do avesso e irreconhecível. Sem ponta por onde dê para sorrir. Sem ponta de verde, sem ponta de cor da esperança. A esperança virou pó. Virou cinza. Virou escuridão. Escuridão irreversível, irrevogável e imperdoável. 

Onde havia pinhais , há agora paus carbonizados e espetados em filas irregulares, entre cinza, carvão e focos ainda de fumo. Há um cemitério interminável sem muro: um cemitério de fauna e flora. Um cemitério com vidas cremadas a sangue frio e ceifadas a quente. Vidas sem nome. Vidas selvagens.


Fico realmente de coração partido e cada pedaço bem apertadinho só de pensar no desespero dos que aqui estiveram, no desespero dos que viram a aproximação de fumo, fogo...fumo e fogo e fumo... No desespero dos que se viram quase a ficar sem nada e nos que estão sem nada. No desespero dos animais que não sabem o que é fogo, mas sabem o que é perigo e que aquele monstro mais que escaldante, sem limites e sem travões pode não os deixar escapar. 

Esta foto já foi filtrada o suficiente, não tem filtro.

É na Praia de Mira, mas podia ser em qualquer outro lugar do nosso Portugal.

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#Instagram @maggynwonderland em 22 de Outubro

Adoro Chocolate (ou Como Comer Chocolate Sem Sentir Culpa)

O chocolate deve ser p'raí a sobremesa mais absurdamente adorada à face da Terra (apesar de haver excepções que confirmam a regra) e o melhor de tudo é que é um doce saudável. 

 

Quando estava a navegar no Twitter descobri que no outro lado do oceano se celebra hoje o maravilhoso, o fantástico, o calmante e saborosíssimo National Chocolate Day, que é como quem diz Dia Nacional do Chocolate (aparentemente, existe também o dia Mundial do Chocolate a 7 de Julho e há o dia Mundial da Nutella a 5 de Fevereiro - Obrigada Ferrero!) e, por esse motivo - porque apesar de contas os E.U.A. são os espalha tendências deste sítio chamado Terra - decidi reunir num texto "tira-culpas" mais 7 motivos para amarmos chocolate.

 

1. Fonte de Antioxidantes

O chocolate negro contém um tipo de antioxidantes que trazem uma quantidade enorme de benefícios para a saúde, chamados Polifenóis. Este grupo de antioxidantes trás inúmeros benefícios para a saúde como: ajuda a inibir a proliferação de alguns tipos de cancro, prolonga a vida celular (o que é ótimo para a regeneração de tecidos, peles e órgãos) e é um escudo contra doenças cardiovasculares.

 

2. Reduz o risco de AVC

AVC ou Acidente Vascular Cerebral é uma das doenças que mais assusta com o envelhecer, mas acontece que o chocolate tem a capacidade de ajudar a evitar os AVCs. Um estudo sueco de 2011 diz que as mulheres que consomem uma quantidade mais elevada de chocolate (mais de 45g por semana), têm 20% menos hipóteses de sofrer um AVC e verificaram também que as que consomem mais de 66 gramas semanais têm ainda mais vantagens!

 

3. Anti-diabetes

Pois é, parece contraditório uma vez que a diabetes é influenciável com o açúcar. No entanto, o chocolate negro pode melhorar a sensibilidade à insulina. Esta sensibilidade é a defesa do corpo contra o desenvolvimento da diabetes, ao ajudar a digerir os hidratos de carbono, por exemplo.

 

4. Reduz o stress

A TPM provoca uma extrema vontade de comer chocolate e porquê? Porque nos deixa mais irritadiças e nervosas. Não é a toa. O chocolate tem propriedades que baixam as hormonas do stress: em 2009 um estudo que deu cerca de 40 gramas de chocolate por dia a pessoas com um alto nível de stress, viu que em duas semanas os níveis desceram.

 

5. Anticoagulante

Ao ter estes antioxidantes referidos no ponto 1., o chocolate atua como um anticoagulante natural, evitando coágulos tal e qual como a aspirina. De tal forma que alguns estudos referem o seu "efeito-aspirina".

 

6. Aumenta a força de vontade

O chocolate negro ajuda a controlar a vontade de o consumir, mais do que o chocolate de leite ou o branco, porque enche muito mais facilmente.

 

7. Afrodisíaco

Desde 1989 que os médicos do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova Iorque apoiam a ideia de que o chocolate é um afrodisíaco que desperta sentimentos de paixão. Ao comer chocolate, o cérebro liberta uma substância química chamada feniletilamina. As hormonas provocadas pelo chocolate produzem sentimentos de felicidade e amor em quem os consome e estimulam os músculos do coração e o sistema nervoso.

 

E então? Facilita a acabar com esse desejo de chocolate? 

 

Atenção, o chocolate saudável deve ser consumido com moderação e ter uma percentagem de cacau acima dos 70% - ou seja, o texto refere-se inteiramente ao chocolate negro. Por dia, os nutricionistas aconselham ao consumo de 30 a 40 gramas de chocolate (mais ou menos o tamanho de uma barra normal). 

 

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Imagem de: 2048online

 

 

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