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#EsteOutroMundo

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Pequeno - almoço de domingo.

Tu viraste manhã.

Viraste almofada, cobertor e aconchego. Viraste lua e nascer do sol. Viraste canção de embalar, silêncio calmante. Viraste "boas noites", "bons sonhos", "bons dias"... viraste um fechar de olhos e um abrir de sorrisos, viraste um abrir de olhos e um fechar de lábios. Beijo bom. Beijo ótimo. Foste dia e noite, e viraste manhã.

Harmonia e conforto.

Deixaste o mar sem ondas, um tempo que aquece, um amanhecer de sol. Deixaste um sabor suave, aroma de reconciliação, uma essência de frescura de uma alma acabada de tomar banho. Viraste ouro sobre azul, cereja no topo do bolo. Viraste prólogo de uma história que eu quero viver, viraste inspiração na ponta dos dedos. Viraste bom presságio, boas sensações, boa disposição matinal, barrinha energética (beijinho energético). Viraste tema principal do meu sorriso e do meu bom humor. Viraste previsão de sol, mesmo em dias nublados. Viraste por do sol em dia de chuva.

Viraste serenidade depois da agitação, raio de sol pós-tempestade, arco-íris. E eu fiquei rica com o pote no teu fim - no nosso início, no nosso recomeço constante. Fiquei rica em manhãs lindas e bons acordares. Fiquei rica em abraços apertados que quero tanto esbanjar em ti . Fiquei rica com os abraços apertados que tanto esbanjas em mim. Gosto disso: gosto de ser rica de ti. Gosto destas manhãs ricas em ti.

Viraste abraço - abraço tão bom, abraço tão quente, abraço-abrigo, abraço-casa, abraço-regaço, regaço-almofada, regaço-ninho. 

Viraste o meu acordar favorito, a minha premonição de um ânimo inevitável, ante-estreia de algo promissor, teaser de um bom dia, rotina que não cansa. Viraste o despertar ideal, viraste cheirinho doce que faz levantar, dose diária de vitaminas que não esqueço de tomar. Manhã de calmaria, manhã de paz, manhã sem pressa, manhã fácil. 

Calma e tranquilidade.

Um virar de página tão bem sucedido, um sonho tão bom de viver, um capítulo tão bom de ler de um livro tão bom de ter, de uma saga que quero tanto - tanto! - ver. Viraste solo firme, corrimão seguro, farol e porto - bom porto. Porto de abrigo, de atraque, de permanência. Bom Porto.

Viraste momento de uma serenidade que se demora. Viraste sossego de domingo. É isso: viraste domingo - pequeno almoço de domingo - eu quero domingar muito. 

V A I !

E se depois do pôr do sol já não estiveres? Se te fores embora com a última luz do dia? Se não te encontrar no escuro da noite?

Vai !
Porque a praia é um bom sítio para te perder... e , na verdade , há lá sítio melhor para esperar por um novo dia? Há lá sítio melhor para respirar a minha companhia? Há lá sítio melhor para recomeços?

Aproveito - me de mim. A solidão não me cansa , a minha companhia agrada-me. Sorrio-me e abraço-me - verdade que é sem ti, mas é comigo. E, assim, amanhã já não te perco. Tu vais e eu fico. Amanhã já me encontrei e brilho à luz do sol ou da lua. E ficarei ali até à noite. Aproveito - me naquela luz de fim de dia que existe contigo, ou sem ti e que lá está sempre que preciso. Amanhã já não te perco, apesar de nunca ter pensado ter - te e de não se poder perder o que nunca se teve .

Vai!

Há já muito tempo que me sei guiar tão bem no escuro da noite como em plena luz do dia ...

E, se desapareceres no mar como o sol, desapareces bonito.

Vai ! Porque eu não vou, não quero ir, nem desapareci . Estive , estou e estarei lá ( para o pôr do sol , para mim e , se for o caso , até para ti ).

E eu aqui, colada a ti.

O mundo tem, neste momento, mais de 7 biliões de pessoas e eu fui desencantar-te inesperadamente no meio de tanta gente, depois de tanto tempo, depois de tanta história e ponto final. Se um relâmpago nunca cai duas vezes no mesmo lugar, as probabilidades erraram na nossa tempestade e eu tive a oportunidade de me cruzar contigo uma segunda vez.

 

É engraçado como foi discreta a aproximação e como, tão rápido, nos reencontrámos, nos alcançámos e colámos.

"Colar".

 

"Colar". Ora aí está uma palavra que nos descreve tão bem.

 

Colar-me a ti. Colares os pedaços de mim. Colar o meu corpo ao teu. Colares a tua pele à minha. Colar o meu beijo aos teus lábios. Colares as tuas mãos à minha cintura. Colar os teus olhos no meu olhar. Colar as tuas palavras no meu sorriso. Colar o teu toque à minha alma. Desapegar-me dos medos que se tinham antes colado a mim e que se descolaram com a emoção da tua aterragem súbita e inocente na minha vida.

Quer dizer...Foi inocente precipitadamente e precipitadamente o deixou de ser. Desfez-se quando me apercebi que ainda guardava restos do nosso primeiro beijo na minha boca. Desapareceu quando o teu toque me levou de volta ao calor das mãos dadas daquela primeira vez. Transformou-se quando nos teus olhos vi o reflexo daquele utópico nascer do sol que, até então, recordava sem me aperceber da tua presença.

 

Aquelas cores vestiram-me o coração inúmeras vezes e outras tantas me aqueceram a alma. Aquelas cores trouxeram sonhos e revelaram memórias como se de um rolo de fotografia se tratasse. Aquelas cores foram-te pintando na minha frente, como se fosse a primeira vez que te via, tal como uma fotografia vai ganhando cor. E na minha memória esse nascer do sol ganhou um novo brilho, tu ganhaste novas cores e toda a história até então fez sentido.

E colei-me a esse déjà vú. Colei-me a ti. Senti-te colares pedaços de mim. Colei o meu corpo ao teu com juras de nunca mais te deixar ir. Senti-te colar a tua pele à minha e apaixonei-me um pouco mais. Colei o meu beijo aos teus lábios e prometi nunca mais saborear um outro sorriso. Colaste as tuas mãos à minha cintura, com a força de quem não me queria ver fugir ("que inocente!", pensei... como se alguma vez ousasse em te voltar a fugir). Colei os teus olhos no meu olhar, tomando-os como o meu horizonte. Colei as tuas palavras no meu sorriso, nos meus ouvidos, no meu ser. Tomei-as como a minha essência a partir daí. Colei o teu toque à minha alma, colaste-te a mim.

 

E aquela imagem dos dois adolescentes, secretamente apaixonados, disfarçadamente de dedos entrelaçados e de inocentes olhares trocados, repetiu-se.

Desta vez sem nascer do sol. Porque o que tinha de nascer, havia nascido uns anos antes. Desta vez as nuvens foram embora. Aquelas nuvens que ali pairavam há alguns anos, sim. Foram embora e deixaram o sol lá bem no alto, quente, como daqueles dias de verão que nunca mais acabam e que aquecem o olhar, salgam a pele, lavam a alma. E, de cabelos colados ao corpo, fizeram-se promessas de adolescentes, com sabedorias e sabores diferentes, sob o sol quente. 

 

Seria o sol quente ou o coração?

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