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#EsteOutroMundo

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Ensina-me a voar.

Deixa-me ter-te.

 

Deixa-me abraçar-te de manhã, como se percebesse que o teu cheiro não é um sonho, ter o teu desenho na minha cama quando te levantas e perceber que o teu tão ambicionado regresso é tão efetivo como a minha existência. Acho que sinto falta da nossa essência e tudo o que ainda não fomos . Deixa-me passar-te os olhos, observar-te de alto a baixo, de baixo a alto, de frente - olhos nos olhos, mãos nas mãos, coração no coração, abraço em abraço.

 

Deixa-te de coisas: deixa-me comprovar-nos e provar-nos - sem medo dos dissabores, sem medo do agridoce, às vezes tão amargo, sem medo do menos bom, sem medo do que pode correr mal... Somos mel e prometo não deixar estragar. Deixa-me aceitar-te - a ti, aos teus defeitos, aos teus efeitos e manifestos e a tudo o que és tu e me faz tão bem. Deixa-me provar-te que conseguimos ir à lua e viver sem gravidade - flutuando mundo fora, gravitando vida fora, cometendo o erro de cair na rotina, sem virarmos enfado, sendo agudos tão melódicos, tão sinfónicos, tão eufóricos, vivendo o crime tão fácil - e irrisório, nada grave - de sermos felizes.

 

Deixa-te de coisas. Deixa-me contigo. Deixa-te comigo. Entrega-te a nós e à nossa luta. Não desperdicemos um segundo mais sem nos deixarmos ser.

Deixa-me deixar-nos levar. Leva-nos aos dois, nesse teu bolso estilo infinito, tal fotografia nunca tirada, tal retrato de casal maravilha, tal papel com recado mais que importante, nota delirante, sem qualquer ponta de delírio - que viramos tão reais quanto a nossa existência. Guarda-me no teu sorriso torto, que eu tanto namoro. Deixa-me perder-me no teu peito que tanto me preenche, por dentro, por fora, por sempre, por ora, e de antes em diante. Desperta-me os sentidos. Vivamos estas nossas parábolas (sem imoralidades, porque fazemos tudo bonito) - moral da história, viras epopeia de perdição que insiste em ser narrada. Prosa poética a ser lida, interpretada, como dissertação de química, tese de física, de gastronomia, anatomia, astrologia e astronomia.

 

Deixa-te de coisas e leva-me ao céu... vemos as estrelas (de perto) - que tu pareces perceber algo disso. Tu já me dás asas, mesmo que não queiras... e, por isso, quem sabe, ensinas-me mesmo a voar.

Voltas?

Vais voltar?
Se disseres que sim, eu espero.
Se disseres que vens, eu fico.
Se disseres que queres, eu quero.
E prometo que te deixo a porta aberta.
 
Deixo-te a porta escancarada,
Para que chegues sem entraves,
Para que chegues sem demoras,
Para que venhas sem desculpas,
Sem perguntas,
Só respostas.
 
Até estendo passadeira vermelha,
(Ou azul, se preferires),
Para que saibas a direção,
Para que tenhas a certeza de que te quero aqui,
Para que regresses sem hesitação,
Sem qualquer dúvida da minha vontade.
e que nunca te diria que não.
 
Como diria?
 
Só não me peças que seja eu, por favor.
Não peças que seja eu a ir,
Não ponhas esse passo em mim,
Que não fui eu quem fugiu,
Não fui eu quem desistiu
Não fui eu que pedi o fim.
Por minha vontade ficávamos e seríamos,
Mas tu foste, mesmo assim.
 
Mas ainda acredito, sabes?
E ainda quero que voltes.
 
Voltas?
 
Se voltares, eu recebo-te.
Recebo-te de alma e coração,
Recebo-te de braços abertos,
De regaço disponível,
De olhos brilhantes,
E o todo mais que for possível.
 
E até posso ir contigo depois:
A sério que vou!
(como sempre fui)
Mas só depois de vires tu.
 
Vens?
 
Tens a porta aberta,
Entrada mais que disponível,
Para que saibas que podes mesmo voltar,
Para que possas vir e não querer ir mais,
Para que possas vir, rir, entrar e ficar.
 
Não garanto esperar para sempre,
O tempo urge,
A vida voa,
O futuro ecoa,
As coisas mudam de repente,
E eu não sou assim tão paciente.
 
Mas, para já, ainda quero.
(Quero muito.)
E garanto que ainda te espero,
E até prometo que me esmero,
para não voltarmos a ir.

Mas só depois de vires tu.

 

Vens?

 

Tens a porta aberta,

Entrada mais que disponível,

Para que saibas que podes mesmo voltar,

Para que possas vir e não querer ir mais,

Para que possas vir, rir, entrar e ficar.

 

Não garanto esperar para sempre,

O tempo urge,

A vida voa,

O futuro ecoa,

As coisas mudam de repente,

E eu não sou assim tão paciente.

 

Mas, para já, ainda quero.

(Quero muito.)

E garanto que ainda te espero,

E até prometo que me esmero,

para não voltarmos a ir.

Um trago de ti.

Só mais um pouco, por favor. Mais um bocadinho, que eu prometo que é rápido!

 

Só preciso de um pouco mais. Uma última palavra, um beijo, um toque, um abraço. Só mais uns segundos, por favor.

Dá-me só mais um olhar, um sorriso, um passeio, um cafuné. Dá-me só mais uma chamada, uma mensagem.

 

Dá-me mais um jantar, uma fatia de pizza encomendada à pressa, uma bolacha... uma dentada, apenas. Dá-me só mais um encontro: bebemos um café? Só mais um copo. Um gole, talvez? Um pequeno tragozinho...

 

Pausa-nos. Guarda-nos. Preserva-nos.

Dá-me só mais um momento. Só mais uma caminhada por mim, num caminho sem volta até ti. Depois volto eu a mim, mas fico-me contigo. Prometo chegar e não partir. Prometo ficar. Prometo-te a minha existência. Prometo os “aindas”, os “tudos”, os “sempre”. Prometo-te as palavras de significado doce, intenso e permanente. Prometo um beijo longo à chegada, um ainda maior nas despedidas provisórias. Prometo-te um toque demorado que pernoite. Prometo-te abraços apertados sem motivo, e os confortantes sempre que precisares. Prometo ver-te. Prometo guardar-te os olhares, os sorrisos e o cafuné de domingo à tarde.

 

Dá-me o que ainda não me deste. Deixa-me dar-te o tanto que tenho para oferecer. Dá-me só mais um pouquinho, que eu dou-te tudo o que poder, para quereres partilhar tudo o que tens para mim. E eu depois dou-te o tempo todo do mundo. Dou-te todo o meu mundo, na verdade. Só preciso de mais um bocadinho... dás-me mais uns minutos , por favor? Umas horas talvez... ainda há tanto para fazer – um mundo gigante para vivermos, um beijo inteirinho para demorarmos.

 

Demora-te aqui: fica com delongas... que daqui, da minha parte, por esses lábios - e todo o resto - não hesito em ficar, e ainda há tanto que te quero mostrar e tanto para te desvendar! Fica mais um bocado, que ainda é cedo. Não vás já, que mal te vi - mal nos senti e bem nos quis. Fica-te por aqui, sim? Pelo menos mais um pouco: dá-me mais um pouco de ti.

 

Dá-me mais um pouco de nós – uns dias, talvez. Talvez seja ousadia da minha parte, sendo o tempo algo tão precioso... Mas seria muito pedir-te mais uns meses? É só mais um pouquinho e perdoa-me a loucura, mas cada vez que penso em ti, quero-te um pouco mais. Quero-nos um pouco mais – um trago do que não era perfeito, mas tão bom.

 

Dá-me mais um pouco de nós: peço, talvez, só mais uns anos e depois ficas o resto da vida, como quem não quer a coisa. Só quero mesmo um trago a mais: um trago dos “sins”, dos “gosto”. Um trago dessa intuição, porque a minha ambos sabemos que não funciona. Um trago de um sonho que não seja tão breve, um trago de um “era uma vez” que pode imediatamente ser um “para sempre”.

 

Dá-me só mais um pouco mais de nós, um pouco mais disto, que soube a tão pouco. Dá-me só mais um trago de nós... só mais um trago de ti, por favor.

trago01.png

Éramos uma vez.

Fomos um momento apenas:
um apontamento no calendário,
um meio sorriso,
um movimento arriscado,
um canto perdido num mundo imaginado,
um caminho escondido a corta-mato,
um gesto mal-amanhado,
uma meia palavra, meia lua,
céu nublado com abertas,
uma gota perdida numa rua.

Fomos um livro gigante em miniatura,
mas apenas uma linha fina numa folha A4,
um soluço do tempo,
um boato com cinco minutos de fama,
um dicionário sem definições,
perguntas sem resposta,
um pretexto sem contexto,
sem paratexto.
sem momento,
sem encaixe,
sem nexo.

Fomos uma tontice de uma cabeça
com asas que toda a gente dispensa,
um achaque de um peito inquieto,
um impulso de um coração intenso.

Fomos uma boca prestes a falar,
um abraço longe de apertar
um olhar que nunca se trocou,
um beijo que ficou por dar,
um segredo por guardar.

Fomos um presente envenenado,
uma vida não vivida,
o rescaldo de uma epifania,
uma fofoquice de uma epopeia,
o prólogo de uma letra capital,
uma antestreia sem estreia principal,
uma antevisão de um jogo sem apito inicial,
empatado por falta de comparência de ambas as partes.

Fomos nem duas palavras,
um segundo de história,
um poema de um verso,
que não rima,
não termina,
e é impossível de declamar.

Fomos um ponto final,
uma música que nunca se fez,
uma ideia que se desfez,
uma lenda pouco encantada,
um conto sem final feliz,
fomos um sopro,
um ápice,
fomos pouco mais de uma vez,
fomos um momento apenas,
um momento de pouca lucidez
e éramos para ser tudo de uma vez.

Éramos os dois,
Éramos uma vez.

G O !

What if after the sunset you're not here anymore? What if you're gone with the last daylight? What if I can't find you in the darkness of the night? 

 

Go!

Because I can afford to lose you on the beach... and, truth to be told, is there a better place to wait for a new day? Is there a better place to absorb my own company? Is there a better place to start over?

 

I'll enjoy me. I don't get sick of being lonely, I am pleased to be on my own. I will smile to me, I hold me tight - yes, not with you, but with me. And, like this, I won't lose you anymore. You'll go, I'll stay. Tomorrow I already found myself and I will glow either with the sun as with the moon. And I'll stay there until late night. I will enjoy me in my beloved sunset light, that exists with or without you - and that I have as much as I need. Tomorrow I won't lose you, although I never thought I have you, and we can't lose what we never had.

 

Go! 

I can guide myself in the darkest nights, as good as I can during day, for a long time now. 

And, if you disappear in the sea as the sun, you'll go in a pretty way.

Há já muito tempo que me sei guiar tão bem no escuro da noite como em plena luz do dia ...

Go! Because I won't, I don't want to go, and I didn't disappear. I was here, I am and I will be (for the sunset, for me, and, if needed, even for you).

Differences.

Sometimes difference is what brings people together.

 

A little difference never hurt anybody: it may be difficult sometimes, but is not impossible.

And definitely, is not about the differences. 

Is about what brings you together: the joy that you share, the happiness that makes life brighter , the funniest conversations, the excitement of seeing each other every time, the shared secrets - that no one else knows, the inside jokes no one else understands - or sees, the shiniest shiny eyes, the trembling souls - unconditionally, unexpectedly and unpredictably souls, the flare (the flare you had, the flare you share, the flare you make together, since ever, and that no one else will be able to light up)... Is about how great your bright is when you're together - as a vampire in the sun, glittering all around.

It doesn't matter how different you both are, but how you choose to share and combine those differences. It doesn't matter how different you both are, but how great you are together - how you amazingly work together and how your bodies laugh and dance and sing and trill when they are together.

It doesn't matter how different you are, but how much you complete each other and how strong you become for sharing, combining and overcoming those differences.

 

It's not about your differences, but how much your path looks alike. How much your souls are mates, how much your hearts are attuned . 

 

It's about being free, together. It is about being different, but having both of your hearts with the same beat. Is about having each other in common. Is about shared goals, shared memories, shared glances, a shared history and a shared landscape. Is about the best dream ever, coming true and the most important feelings coming together from you.

 

You just have to choose.

Choose wisely. Don't jeopardize those amazing things. Be happy.

The Day After Tomorrow.

They think they know. They think seeing us is enough to know. But they don't know: they know nothing! It doesn't even cross their mind.

 

If they knew, maybe it would be different, maybe they would act differently, maybe things would be different, they would see things differently and maybe, then, the world would conspire in another way.

They think they know, that only seeing is enough, but they know nothing at all. They don't even imagine!

 

If they knew, maybe they would make the world spin in our favor, maybe they would join forces for us, maybe they would conspire our definitive reunion, maybe they would push us into our final reconciliation. If they knew, maybe there would be a written biography by someone, that would become famous thanks to it.  Maybe it would suit as a fairytale. Some years later, if they knew, maybe some movie would be released, in a major event, with all due pomp and circumstance. Maybe it would become a classic. And then, everyone would know... or, at least, they would think they knew. As if listening was enough to know. But they wouldn't know: they would never know! It wouldn't even cross their mind.

They would never know how it happened: everything we lived before the first time we saw each other, or how we got there - to that meeting point, to that point in our history. 

They would never have the tiniest idea how much our hearts were controlling themselves when we first glanced at each other, they would never have the tiniest idea of what our hearts guessed the first time we got closer, of what they shared during our silent smiles, of what our hearts knew about each other. I think not even we knew what was going on between the two of us: about our heart beats as they were singing in tune the most beautiful ballad; about each and every single curve, vein and shade of ours,  as if they were about to lose themselves in each other's arms and they could do it without a map.  I think only they really know what happened to us.

 

If our hearts would speak, only from them we would know the ultimate truth: only them would describe exactly every single freed feeling, chill felt, smile shared, exchanged gaze, every single tight hug, word said, impulse held and yielded wish. If our hearts would speak, then there would be a way for the world to have a slight idea of what was left to say and left to feel, of what was said over and over again and was never enough. 

And we did it so many times, and it seems like it wasn't enough: the words said, the gestures, the glances, the words, the touches, the chills, the words, the wishes, the words, the dreams... And everything would be easier if they were kept on going. And the world doesn't know: the world doesn't have the tiniest idea of what it was (and of what it is). It has no idea of what we were (what we are, what we want to be).

 

And they think they know. They really think they know. Ridiculous world, that thinks will manage to understand it somehow. Stupid world, that thinks someday will know. They don't know: they know nothing! They cannot even imagine!

 

Probably,  not even we know. Really, I think not even we knew. We couldn't, because everything was gone so fast - life ran too much and was so different. I think

They knew and they are stubborn, punishing us. Punishing us for letting them down.

I think if they would speak, only from them we would know the truth: only them would know how to confess, without messing us up, what we were, what we are and what we could be,  if the world would know just a little, if the world would help just a little, if life would be our complicit.

 

The world doesn't know, the world only fakes it - and it is bad at faking it. And time passed by, and no one will ever know... and we won't ever know, we will just wait for our hearts: we will wait for them to speak, to see each other, to touch each other, to cross each other again, some day. We will wait they will dream about each other. I hope they still want each other!

 

And the world will never know... but maybe we will... maybe one day, around there... maybe today, or tomorrow. Maybe they will be synchronized the day after tomorrow.

Jeitinho elástico.

16 de dezembro de 2020

Sabes aquele teu jeitinho de sorrir?

Não sabes. Acho que não sabes. Não sabes, nem nunca soubeste... talvez nem queiras saber. Mas eu sei. Eu conheço-o e ele mexe tanto comigo!

E tu talvez não queiras, mas ele diz-me muito mais que tu. Talvez eu também veja algo mais do que ele diz na verdade, mas fora exageros, ele diz tanto mais do que o que achas que ele diz (ou do que queres que diga).

Às vezes fico na dúvida se é algum filtro que eu tenho que o põe mais bonito. Ou talvez um filtro que me permita vê-lo por dentro. Ou talvez ele esteja a nu, à minha frente, contra a tua vontade. Mas é esse jeitinho: é esse jeitinho que me abraça e não larga, é esse jeitinho que se aproxima de mansinho e me conquista toda e cada vez, é esse jeitinho que dá saudade, que faz sentir vazio se não está, é esse jeitinho que acalma a alma e deixa o peito em loucura. É esse jeitinho que me acelera o coração quando me desafoga e quando me deixa afogar. É esse jeitinho elástico.

Mas tu não sabes: não sabes que o tens e muito menos sabes o seu efeito. Desconheces por completo o tamanho do bem que me faz que o tenhas (e o mal que me faz quando me o tiras). Não fazes ideia da desarrumação do meu peito que fica quando está sem ele. A agitação louca do meu corpo,  a vontade de gritar

"- Eu gosto de ti."

Sem segredos, sem receios, sem arrependimentos, sem segundas intenções, sem prospecções. Gosto de ti porque sou mais eu contigo na minha vida. Gosto de ti, porque cabem numa mão os teus defeitos - e o maior dele todos e não estares aqui. Gosto de ti, porque é difícil não gostar do que nos faz rir tão genuinamente: e quem diz rir, diz, chorar, sorrir, brilhar, tremer, sonhar, gritar, vibrar.

Rir de mim, rir de ti, rir de nós, rir do mundo, das vontades e do universo. Rir do(no) passado, do(no) presente, do(no) futuro. Chorar do que não foi, do que não é, do que pode ser. Sorrir dos elogios, da saudade, da presença, do teu sorriso, do teu olhar. Brilhar por dentro, por fora, de dentro para fora, e mais intensamente que o sol. Tremer que nem varas verdes quando não te vejo, quando não te toco, quando estou para te sentir junto a mim. Sonhar em contagem decrescente para a realidade. Gritar alto - que gosto de ti, que te quero para mim; gritar alto por não te ter aqui.

Por mares já navegados

Um dia desapareceste entre espuma branca e ondas altas, em direção a Sabe-se-lá-onde. Nesse momento, pensei-te navegante de outros mares para sempre, pensei-te explorador de outras costas, entusiasta de outras encostas, longe de qualquer vista mar.

Mas depois tu decidiste um regresso e aportaste no meu cais, de novo, quando te pensava entre ondas e marés. Aportaste no meu cais, talvez perdido de tormentosas tempestades, talvez oriundo de terras distantes, talvez, quem sabe, das profundezas do oceano, talvez indisposto da viagem, talvez sem saber onde o destino te traria.

Horas, dias, meses: o tempo que passara era-te desconhecido (na verdade, até para mim) e eu olhava para ti como se olhasse para o meu horizonte, sem saber como te acalmar deste teu fado impetuoso (se saber como me acalmar desta incerteza imprevisível), sem saber como esclarecer as dúvidas que terias, sem saber como te ler esse olhar impenetrável que diz o contrário do que os teus lábios pronunciam. A verdade é que, quando partiste, julguei-te perdido para sempre, julguei-me desprendida de ti, julguei solução as ruas mais distantes do porto de onde saíste e, agora, aqui estava eu: percorrendo todo o caminho de volta até à nossa margem, onde pensei nunca mais voltar e onde a altura da água é a mesma depois das lágrimas que lá deixei cair ao ver-te ir, passando pelas marcas da minha determinação deixadas na direção contrária nas pedras de calçada. A paisagem parece um pouco diferente agora que o teu barco está no cais: o sol parece mais brilhante, as ruas mais cheias de cor, as margens mais translúcidas.

 

E eu aqui, a esperar por te receber de novo neste teu regresso, rezando para que acredites que teremos a melhor vista mar do mundo inteiro.

Untitled design.png

 

 

Faz-me sonhar, como sempre.

É estranho como o mundo gira e me leva de volta até ti,
como se quisesse que comparasse o que fomos ao agora
e me quisesse a querer-te comigo aqui ,
como antes, como outrora.

Decididamente, acredito hoje, mais que nunca, que as coisas acontecem por uma razão e, aqui estou eu, pronta para o que vier daí, preparada para todas as coisas estranhas e vislumbres. Porque já vi que (pelo menos) o (meu) mundo é assim.

E tu vens, de rompante,
e vais de repente,
e voltas de fininho,
e desapareces mansinho
e perdes-me no meio de sonhos e sentidos,
memórias e vontades,
medos e verdades.

E eu vou ceder.
Se vieres, eu sei que não resisto.
E se fores, eu sei que eventualmente, de uma forma ou de outra, voltarás.
E se não voltares, saberei antes de tomares essa decisão.

Porque eu já decidi algumas vezes por um ponto final que, no final, virou uma vírgula baça, quase transparente e agora tenho sérias dúvidas se estas reticências serão o encerramento da tua frase.

Se forem, eu sei que um novo parágrafo vai surgir e, sinceramente, estou mais despreocupada que nunca.

Se não forem, por favor, volta com tudo. Volta com todas as palavras que sempre usei para te descrever, com toda a carga que te envolve desde que sou pequena, volta com os meus sonhos no colo e com o meu coração nas tuas mãos.

Ou então, deixa-me ir,
deixa-me perder-me noutro alguém,
deixa-me criar outros sonhos,
deixa-me escrever uma nova história.
Deixa-me escorregar para o futuro,
como se nunca tivesses considerado um comigo.
Deixa-me abraçar um novo mundo,
como se nunca tivesse partilhado o meu contigo.

Ou então vem, vem decidido
vem de vez, vem agora
fica eterna e discretamente,
fica como antes, como outrora.
Toca-me, prende-me, ama-me.
Faz-me sorrir e ficar.
Faz-me poder ver-te,
Faz-me poder ter-te,
Faz-me sonhar,
Como sempre.

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